﻿{"id":2119,"date":"2019-05-07T09:40:55","date_gmt":"2019-05-07T12:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/\/?page_id=2119"},"modified":"2019-09-17T09:00:38","modified_gmt":"2019-09-17T12:00:38","slug":"paleontologia-da-bacia-do-araripe","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/?page_id=2119","title":{"rendered":"Paleontologia da Bacia do Araripe"},"content":{"rendered":"\r\n<p><em>por Rafael Celestino Soares<\/em><\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Apesar dos f\u00f3sseis ocorrerem em v\u00e1rias das forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas da Bacia do Araripe, \u00e9 a Forma\u00e7\u00e3o Santana reconhecidamente a unidade mais fossil\u00edfera. N\u00e3o por acaso, esta forma\u00e7\u00e3o \u00e9 referida internacionalmente como <em>Lagerst\u00e4tten,<\/em> termo alem\u00e3o atribu\u00eddo \u00e0s jazidas fossil\u00edferas que possuem uma grande diversidade de material, em condi\u00e7\u00f5es de excepcional preserva\u00e7\u00e3o. Por esta raz\u00e3o ser\u00e1 enfatizado a Paleontologia da Forma\u00e7\u00e3o Santana, ressalvando que este \u00e9 um tema em evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e permanente. Neste exato momento, em que o estimado leitor debru\u00e7a-se na leitura deste cap\u00edtulo, \u00e9 poss\u00edvel que novas esp\u00e9cies estejam sendo descritas e novas observa\u00e7\u00f5es sobre esp\u00e9cimes j\u00e1 catalogados estejam sendo inferidas pelos paleont\u00f3logos.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Os primeiros f\u00f3sseis da Forma\u00e7\u00e3o Santana foram registrados por Feij\u00f3 (1810) e atualmente s\u00e3o incont\u00e1veis as obras que versam sobre esta tem\u00e1tica. De modo geral, os principais registros acad\u00eamicos s\u00e3o sobre peixes, insetos e vegetais. No Membro Crato ocorrem, com abund\u00e2ncia, representantes do peixe <em>Chanidae Dastilbe<\/em> <em>crandalli <\/em>Jordan 1910, restos de insetos (muitas vezes inteiramente preservados) pertencentes ao grupo dos ens\u00edferos (grilos), efemer\u00f3pteros (ef\u00eameras), anisopteros (lib\u00e9lulas), zigopteros (donzelinhas), hem\u00edpteros (percevejos), himen\u00f3pteros (vespas e formigas), neur\u00f3pteros (formiga-le\u00e3o), hom\u00f3pteros (cigarrinhas), blat\u00f3pteros (baratas), is\u00f3pteros (cupins), derm\u00e1pteros (tesourinhas), cole\u00f3pteros (besouros), lepid\u00f3pteros (borboletas), tric\u00f3pteros (moscas-de-\u00e1gua), cel\u00edferos (gafanhotos) e d\u00edpteros (moscas e mosquitos; al\u00e9m de fragmentos vegetais de samambaias do g\u00eanero <em>Ruffordia <\/em>e de con\u00edferas do g\u00eanero <em>Brachyphyllum<\/em>). Ainda h\u00e1 o registro da presen\u00e7a de gnetales (<em>Cratonia, Welwitschophyllum, Welwitschiaprisca<\/em> e <em>Welwitschiobrus<\/em>), de angiospermas (g\u00eaneros <em>Araripia, Endressinia, Iara <\/em>e <em>Klitzchophylites<\/em>), e de algas car\u00e1ceas. Alguns exemplares de f\u00f3sseis do Membro Crato podem ser visualizados abaixo.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>Outros g\u00eaneros de peixes foram descritos nesta unidade, ainda que de registro mais raro. \u00c9 o caso de <em>Vinctifer, Tharrias, Lepidotes, Cladocyclus,<\/em> <em>Araripelepidotes, Axelrodichthys, Santanichthys,<\/em> <em>Placidichthys <\/em>e <em>Cratoamia<\/em>. Pterossauros tamb\u00e9m ocorrem nos estratos do Membro Crato, especialmente de dois grupos principais: Os tapejar\u00eddeos, caracterizados pela presen\u00e7a de uma crista sagital bem desenvolvida na parte anterior do cr\u00e2nio (<em>Tapejara, Tupuxuara,<\/em> <em>Thalassodromeus<\/em>) e os anhanguer\u00eddeos, que possuem uma crista sagital sobre o pr\u00e9-maxilar e outra sob a mand\u00edbula (<em>Anhanguera, Tropeognathus,<\/em> <em>Arthurdactylus<\/em>. Outros vertebrados s\u00e3o igualmente registrados, tais como: Anuros, crocodilomorfos, quel\u00f4nios e penas isoladas, provavelmente pertencentes a aves primitivas. Entre os invertebrados, s\u00e3o conhecidos os registros de aracn\u00eddeos (aranhas e escorpi\u00f5es), dec\u00e1podos (caranguejos) e miri\u00e1podos (lacraias), assim como de biv\u00e1lvios e gastr\u00f3podos indeterminados.<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<p>No Membro Ipubi, h\u00e1 ocorr\u00eancia de tapetes algal\u00edcos de cianof\u00edceas, restos de vegetais, restos de peixes actinopter\u00edgeos e de conchostr\u00e1ceos, todos pouco investigados. No Membro Romualdo, os peixes novamente se destacam fossilizados no interior de concre\u00e7\u00f5es calc\u00e1rias. Predominam as esp\u00e9cies <em>Vinctifer<\/em> <em>comptoni<\/em>, <em>Rhacolepis buccalis <\/em>e <em>Tharrhias araripes<\/em>. Tamb\u00e9m s\u00e3o comuns os g\u00eaneros <em>Araripelepidotes,<\/em> <em>Brannerion, Calamopleurus, Cladocyclus, Lepidotes,<\/em> <em>Notelops <\/em>e <em>Santanaclupea<\/em>. Pouco comuns, mas tamb\u00e9m importantes, s\u00e3o <em>Araripichthys, Beurlenichthys, Iemanj\u00e1, Neoproscinetes, Obaichthys, Oshunia, Paraelops, Placidichthys, Santanichthys<\/em>, o tubar\u00e3o <em>Tribodus limae<\/em>, a arraia <em>Iansan beurleni <\/em>e os celacantos <em>Axelrodichthys araripensis <\/em>e <em>Mawsonia<\/em> <em>brasiliensis<\/em>. Outros grupos de vertebrados t\u00eam ocorr\u00eancia registrada no Membro Romualdo da Forma\u00e7\u00e3o Santana: quel\u00f4nios (g\u00eaneros <em>Araripemys,<\/em> <em>Santanachelys, Brasilemys, Cearachelys <\/em>e <em>Caririemys<\/em>), dinossauros (<em>Angaturama, Irritator, Mirischia,<\/em> <em>Santanaraptor<\/em>), crocodilomorfos (g\u00eaneros <em>Caririsuchus <\/em>e <em>Susisuchus<\/em>) e pterossauros (g\u00eaneros <em>Araripedactylus, Cearadactylus, Santanadactylus <\/em>e <em>Brasileodactylus<\/em>). A parte superior do Membro Romualdo apresenta bancos calc\u00e1rios que abrigam f\u00f3sseis de invertebrados, como equinoides do g\u00eanero <em>Pygurus<\/em>, moluscos gastr\u00f3podos (Craginia e Gymnentome), e biv\u00e1lvios (g\u00eanero <em>Legumen,<\/em> <em>Barbatia <\/em>e <em>Pseudoptera<\/em>), al\u00e9m de formas indeterminadas de crust\u00e1ceos (dec\u00e1podos e cop\u00e9podos). Entre os vegetais descritos, h\u00e1 formas de con\u00edferas do g\u00eanero <em>Brachyphyllum<\/em>. Alguns esp\u00e9cimes do Membro Romualdo podem ser visualizados a seguir. Microf\u00f3sseis ocorrem em abund\u00e2ncia em todos os membros da Forma\u00e7\u00e3o Santana, com destaque para os ostracodes e palinomorfos. Dos ostracodes, destacam-se as formas pertencentes aos g\u00eaneros <em>Darwinula, Theriosynoecum, Pattersoncypris,<\/em> <em>Petrobrasia, Pseudocypridina, Reconcavona<\/em> e <em>Salvadoriella<\/em>. Os palinomorfos registrados s\u00e3o dos g\u00eaneros <em>Araucariacites, Classopolis,<\/em> <em>Cyathidites, Deltoidospora, Gleicheniidites <\/em>e <em>Sergipea<\/em>. Tamb\u00e9m existem ocorr\u00eancias de dinoflagelados (<em>Subtilisphaera <\/em>e <em>Spiriferites<\/em>) e, mais raramente, de foramin\u00edferos (<em>Rhodonascia <\/em>e <em>Quinqueloculina<\/em>).<\/p>\r\n\r\n\r\n\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-2120\" src=\"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/FOTO-1.gif\" alt=\"\" \/><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone  wp-image-3145\" src=\"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FOTO-1-300x98.gif\" alt=\"\" width=\"762\" height=\"249\" srcset=\"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FOTO-1-300x98.gif 300w, https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/FOTO-1-768x252.gif 768w\" sizes=\"(max-width: 762px) 100vw, 762px\" \/><\/figure>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Rafael Celestino Soares Apesar dos f\u00f3sseis ocorrerem em v\u00e1rias das forma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas da Bacia do Araripe, \u00e9 a Forma\u00e7\u00e3o Santana reconhecidamente a unidade mais fossil\u00edfera. 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