﻿{"id":3260,"date":"2019-09-27T07:26:06","date_gmt":"2019-09-27T10:26:06","guid":{"rendered":"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/?p=3260"},"modified":"2019-09-27T07:43:14","modified_gmt":"2019-09-27T10:43:14","slug":"especiais-o-povo-destino-geopark-araripe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/?p=3260","title":{"rendered":"Especiais O POVO &#8211; Destino Geopark Araripe"},"content":{"rendered":"<p>O Geopark Araripe, da rede global de geoparques da Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), \u00e9 um laborat\u00f3rio de possibilidades e descobertas para o Cariri cearense, o Brasil e para o Planeta. N\u00e3o \u00e9 exagero. No sul do Cear\u00e1, a Unesco resolveu apostar na reverbera\u00e7\u00e3o sobre a relev\u00e2ncia geol\u00f3gica dali para compreens\u00e3o das reviravoltas ambientais da Terra h\u00e1 milh\u00f5es de anos e suas atualiza\u00e7\u00f5es. Uma aposta, tamb\u00e9m, na insist\u00eancia por um ser humano transformador do lugar de exist\u00eancia, por destinos sustent\u00e1veis, com repercuss\u00f5es do quintal para Casa Comum.<\/p>\n<p>Do f\u00f3ssil ao homem, a Chapada do Cariri tem biografia singular e universal. H\u00e1 13 anos, foi inclu\u00edda na rede de geoparques da Unesco como um dos 127 territ\u00f3rios ativos para, por exemplo, exercitar a consecu\u00e7\u00e3o dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel da Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>O Geopark Araripe, administrado pela Universidade Regional do Cariri (Urca) e o \u00fanico no Brasil, j\u00e1 \u00e9 reconhecido como \u201cbom exemplo de interven\u00e7\u00e3o territorial focada na prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural e cultural colocados a servi\u00e7o dos habitantes e visitantes que o demandam\u201d. A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor lusitano Artur Agostinho S\u00e1 de Abreu, coordenador da C\u00e1tedra Unesco em Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustent\u00e1vel e Estilos de Vida Saud\u00e1vel da Universidade Tr\u00e1s-os-Montes e Alto Douro (Utad) e do Geoparque Arouca, de Portugal.<\/p>\n<p>H\u00e1 desafios em quantidade e a necessidade de corre\u00e7\u00f5es de percursos no manejo territorial nos nove geoss\u00edtios esquadrinhados em seis munic\u00edpios do Cariri. Uma das urg\u00eancias \u00e9 o envolvimento radical das prefeituras com o conceito e a pr\u00e1tica da ideia do Geopark (Unesco) Araripe. Entender que a parceria \u00e9 pr\u00f3spera e tem perspectiva sustent\u00e1vel para o cidad\u00e3o em seu habitat, para o visitante, o meio ambiente e a economia da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A seguir, um convite ao leitor para uma visita guiada ao \u201cDestino Geopark Araripe\u201d. Uma viagem pelas narrativas geopaleontol\u00f3gicas da Bacia do Araripe e por enredos sobre o homem e a terra que o habita.<\/p>\n<p>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2427\/4E9A0020.JPG\" width=\"675\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PERCURSO<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>\u00a02000 mil quil\u00f4metros<\/strong><br \/>\nfoi trajeto percorrida pela equipe do O POVO, de Fortaleza ao Geopark Araripe no Sul do Cear\u00e1<br \/>\n<strong>3.796 km\u00b2<\/strong><br \/>\n\u00e9 o tamanho do territ\u00f3rio do Geopark Araripe, esquadrinhado em nove geoss\u00edtios nos munic\u00edpios de Juazeiro do Norte, Crato, Barbalha, Miss\u00e3o Velha, Santana do Cariri e Nova Olinda<br \/>\n<strong>92<\/strong><br \/>\nGeoss\u00edtios foram mapeados dentro do Geopark Araripe com potencial para experi\u00eancias de desenvolvimento sustent\u00e1vel. Por enquanto, nove receberam autoriza\u00e7\u00e3o da Unesco<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O EMPREENDEDORISMO NO GEOPARK ARARIPE | EP 10\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WiTlMVguxj4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/187\/12571\/GEOPARK1.jpg\" width=\"1038\" height=\"480\" \/><\/p>\n<header>\n<h1>Relic\u00e1rio pr\u00e9-hist\u00f3rico<\/h1>\n<p class=\"desc\">As descobertas recentes de f\u00f3sseis de um crocodilo, um dinossauro e de um novo pterossauro desafiam a ci\u00eancia no Geopark Araripe e s\u00e3o pontes para o geoturismo<\/p>\n<\/header>\n<div align=\"justify\">\n<p>Parte de um crocodilo que viveu entre 199 e 155 milh\u00f5es de anos, onde hoje se testemunha a bacia do Araripe, \u00e9 a mais nova evid\u00eancia cient\u00edfica de que o Cariri cearense tem um universo paralelo. A rel\u00edquia, uma vertebra e outras interroga\u00e7\u00f5es investigadas por pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (LPU-Urca), dever\u00e1 indicar que o r\u00e9ptil \u00e9 o mais antigo f\u00f3ssil do g\u00eanero descoberto no Brasil.<\/p>\n<p>O rastro do crocodilo do jur\u00e1ssico, conta o paleont\u00f3logo \u00c1lamo Saraiva Feitosa, continua sendo seguido em escava\u00e7\u00f5es no solo de Miss\u00e3o Velha \u2013 um dos seis munic\u00edpios que esquadrinham o territ\u00f3rio do\u00a0<a href=\"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/\" target=\"blank\">Geopark Araripe<\/a>, no Cear\u00e1. A busca \u00e9 uma tentativa de achar o restante dos fragmentos do corpo da criatura pr\u00e9-hist\u00f3rica que, j\u00e1 se sabe, era de \u00e1gua doce e pode ter medido entre 2 e 2,5 metros de tamanho. Um vertebrado mediano para uma era de criaturas gigantes.<\/p>\n<p>\u00c9 um quebra-cabe\u00e7a iniciado h\u00e1 milh\u00f5es de anos na Terra e que encontra na bacia do Araripe encaixes importantes para se entender as transforma\u00e7\u00f5es do mundo at\u00e9 aqui. \u201cO f\u00f3ssil precioso de um crocodilo ou de outro organismo nos ajuda a remontar um sistema do passado para estabelecer pontes e incurs\u00f5es com cen\u00e1rios atuais\u201d, simplifica \u00c1lamo Saraiva \u2013 coordenador do LPU. \u00c9 uma autopsia do paleoambiente do animal arquivado na rocha para se saber a evolu\u00e7\u00e3o e extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, das entranhas da bacia do Araripe foram descritas tr\u00eas esp\u00e9cies de crocodilomorfos. Em 1959, o paleont\u00f3logo ga\u00facho Llewellyn Ivo Price batizou a primeira pedra de f\u00f3ssil desse vertebrado: o Araripesuchus gomesii. Seguido, em 1987, pelo Caririsuchus camposi \u2013 descoberta de Alexander Kellner, atual presidente do Museu Nacional. E em 2003, o ingl\u00eas David Martill e mais tr\u00eas cientistas deram nome e reconstitu\u00edram prov\u00e1veis h\u00e1bitos do Susisuchus anatoceps.<\/p>\n<p>H\u00e1, fora da Cariri cearense, apenas dois f\u00f3sseis associados \u00e0s caracter\u00edsticas do Araripesuchus gomesii. Pedras coletadas ou traficadas da bacia do Araripe. \u00c9 um cr\u00e2nio quase inteiro e uma mand\u00edbula que fazem parte da cole\u00e7\u00e3o do antigo Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Minera\u00e7\u00e3o (atual Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o), no Rio de Janeiro. E o f\u00f3ssil de um crocodilo juvenil, parcialmente completo, depositado no American Museum of Natural History, em Nova Iorque (EUA).<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo m\u00eas, revela \u00c1lamo Saraiva, um artigo cient\u00edfico sobre o crocodilo do jur\u00e1ssico do Geopark Araripe ser\u00e1 compartilhado pela revista Plos One. Uma plataforma online da\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/\" target=\"blank\">Public Library of Science<\/a>\u00a0especializada em discuss\u00f5es sobre descobertas na ci\u00eancia e na medicina.<\/p>\n<p>Por enquanto, os detalhes sobre o achado e suas contribui\u00e7\u00f5es para o labirinto da hist\u00f3ria natural do planeta pedem discri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e sigilo. H\u00e1 mais d\u00favidas do que respostas, completa \u00c1lamo Saraiva. \u201cE isso \u00e9 bom\u201d, afirma o cientista contra certezas trai\u00e7oeiras para a ci\u00eancia que estuda vest\u00edgios do passado a partir de f\u00f3sseis de bichos, micro-organismos, plantas e outras chaves para explicar exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nas mesas do min\u00fasculo e importante Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Urca, cientistas do Cear\u00e1 e da China se apertam para decifrar tamb\u00e9m mais tr\u00eas enigmas encontrados na jazida fossil\u00edfera do Geopark Araripe.<\/p>\n<p>S\u00e3o f\u00f3sseis de uma planta quase completa \u2013 uma gimnosperma do cret\u00e1ceo inferior com aproximadamente 115 milh\u00f5es de anos e garimpada nas pedreiras de calc\u00e1rio laminado de Nova Olinda. H\u00e1 ainda a perna de um dinossauro, tamb\u00e9m do cret\u00e1ceo inferior, escavado em Santana do Cariri. E a cabe\u00e7a de um pterossauro apreendida pela Pol\u00edcia Federal das m\u00e3os de traficantes especializados em passado.<\/p>\n<p>O novo dinossauro, descoberto desta vez por cientistas do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Urca, se juntar\u00e1 a quatro j\u00e1 descritos da bacia do Araripe. Esta semana, o paleont\u00f3logo e diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, desembarcar\u00e1 no Crato para se bater o martelo sobre anos de estudos em torno da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Alexander Kellner e Di\u00f3genes de Almeida Campos apresentaram, em 1996, o Angaturama limai. A criatura, ao lado do Irritator challengeri \u2013 descrito e desterrado pelo ingl\u00eas David Martill, tamb\u00e9m em 1996 \u2013 representaram as primeiras descobertas da fam\u00edlia dos spinossaur\u00eddeos na Am\u00e9rica do Sul. S\u00e3o dois dinossauros grandes, segundo \u00c1lamo Saraiva. Habitavam, provavelmente, o mesmo ambiente, possu\u00edam focinho bem alongado e dentes desprovidos de serrilhas.<\/p>\n<p>Para Kellner e \u00c1lamo Saraiva, os f\u00f3sseis escavados na bacia do Araripe t\u00eam notoriedade reconhecida no mundo dado o n\u00edvel de conserva\u00e7\u00e3o. Apesar dos milh\u00f5es de anos debaixo da terra, apresentam partes de tecido mole \u2013 pele, vasos sangu\u00edneos e fibras musculares preservadas em tr\u00eas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>O Santanarator placidus, decifrado por Kellner em 1999, \u00e9 uma prova do incomum para a paleontologia e gatilho para o tr\u00e1fico de pe\u00e7as raras saqueadas do Cariri cearense. O Mirischia asymmetrica, levado para ser descrito na Inglaterra por Darren Naish, em 2004, \u00e9 outro exemplo.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie, que poderia fazer parte da cole\u00e7\u00e3o do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, possui \u201cestruturas moles de parte do intestino\u201d, pronunciada assimetria dos ossos da cintura p\u00e9lvica e um poss\u00edvel saco a\u00e9reo p\u00f3s-p\u00fabico, de acordo com Guia de Trabalho de Campo em Paleontologia na Bacia do Araripe.<\/p>\n<div align=\"right\"><em>Demitri T\u00falio\u00a0 \u00a0<\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<div align=\"right\">\n<article id=\"\" class=\"theme top5 clearfix\">\n<header>\n<h1>SOBRE AS ESP\u00c9CIES GIGANTES<\/h1>\n<\/header>\n<div class=\"left clearfix\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/ptero.jpg\" alt=\"PTEROSSAUROS\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/ptero.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">PTEROSSAUROS<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">19 f\u00f3sseis de pterossauros, escavados na bacia do Araripe no Cear\u00e1, foram descritos. O que faz do Geopark Araripe a maior \u00e1rea de descobertas no mundo sobre a criatura alada. Os pterossauros descritos Geopark s\u00e3o de duas fam\u00edlias: a Anhangueridae, que possu\u00eda crista na ponta do bico e dentes grandes. E a Papejaridae, que n\u00e3o tinha dentes e que apresentava uma crista na cabe\u00e7a (em cima do cr\u00e2nio)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"right clearfix\">\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/Dino.jpg\" alt=\"DINOSSAUROS\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/Dino.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">DINOSSAUROS<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">4 dinossauros, achadas na Chapada do Araripe, j\u00e1 foram descritos at\u00e9 hoje. Uma quinta esp\u00e9cie est\u00e1 em via, sendo investigada. As criaturas s\u00e3o das fam\u00edlias raptoridae (raptores) e da spinhosauridae (marinhos e com uma grande &#8221;vela&#8221; nas costas)<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"left clearfix\">\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/Araripesuchusedit.jpg\" alt=\"CROCODILOS\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/Araripesuchusedit.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">CROCODILOS<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">3 crocodilos pr\u00e9-hist\u00f3ricos foram descritos na \u00e1rea que hoje conhecemos por Geopark Araripe. Dois de ambiente de \u00e1gua doce e outro de \u00e1guas salgadas. OAraripesuchus gomesii, o Caririsuchus camposi e o Susisuchus anatoceps<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"right clearfix\">\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/peixe1.jpg\" alt=\"PEIXES\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/peixe1.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">PEIXES<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">28 esp\u00e9cies de peixes foram descritas na bacia do Araripe, no Cariri cearense<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"left clearfix\">\n<p style=\"text-align: left;\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/inseto.jpg\" alt=\"INSETOS\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/inseto.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">INSETOS<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">Mais de 200 esp\u00e9cies de insetos foram estudadas por pesquisadores que trabalham com f\u00f3sseis da Chapada do Araripe, no Cear\u00e1<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"right clearfix\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/Planta.jpg\" alt=\"PLANTAS\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/Planta.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">PLANTAS<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">64 esp\u00e9cies de f\u00f3sseis plantas, desde samambaias a plantas com flores e frutos, foram descritas no Cariri cearense<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"left clearfix\">\n<p><img decoding=\"async\" class=\"lazy aligncenter\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/molusco.jpg\" alt=\"MOLUSCOS\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/192\/12457\/molusco.jpg\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">MOLUSCOS<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">10 esp\u00e9cies descritas a partir de escava\u00e7\u00f5es na bacia do Araripe, no Cear\u00e1. Al\u00e9m de doze ouri\u00e7os\/conchas e 5 cinco camar\u00f5es<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"\" class=\"theme clearfix\">\n<header>\n<h1 style=\"text-align: left;\">Santu\u00e1rio dos pterossauros<\/h1>\n<p class=\"desc\" style=\"text-align: left;\">Geopark Araripe tem pelo menos 25 pterossauros descritos por pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Um novo f\u00f3ssil do r\u00e9ptil voador est\u00e1 sendo investigado<\/p>\n<\/header>\n<div align=\"justify\">\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2429\/02a.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2429\/02a.JPG\" \/><figcaption>(Foto: Tati Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Provavelmente, a Bacia do Araripe foi uma esp\u00e9cie de santu\u00e1rio de pterossauros. Antes de serem extintos, h\u00e1 pelo menos 65,5 milh\u00f5es de anos, teriam migrado solit\u00e1rios ou em bandos para se alimentar e, talvez, se acasalar num territ\u00f3rio inimagin\u00e1vel que se transformou no que aprendemos a chamar de Chapada do Araripe. S\u00e3o hip\u00f3teses conversadas com Renan Bantim e \u00c1lamo Saraiva, dois pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (LPU).<\/p>\n<p>A possibilidade de ser um ref\u00fagio paleoecol\u00f3gico ou de ser um entreposto para alimenta\u00e7\u00e3o estaria fundada, principalmente, na quantidade de pterossauros descritos origin\u00e1rios da Bacia do Araripe, no Cariri cearense. De 1984 para c\u00e1, pesquisadores brasileiros e estrangeiros investigaram pelo menos 25 esp\u00e9cies do sul do Cear\u00e1 que pertenceriam a duas ou mais fam\u00edlias. H\u00e1 uma diverg\u00eancia. Os paleont\u00f3logos do LPU consideram a Anhangueridae e a Tapejaridae. Outros estudiosos acrescentam a Pteranodontoidea, Ctenoschamatoidae, Ornitocheiridae e a Dsungapteridae.<\/p>\n<p>No Brasil, entre institui\u00e7\u00f5es internacionais e entre pesquisadores experimentados em escavar, preparar e decifrar f\u00f3sseis n\u00e3o se discute o valor paleontol\u00f3gico da Bacia do Araripe. \u00c9 refer\u00eancia. E se tratando de pterossauro, a jazida fossil\u00edfera dessa banda do planeta \u00e9 ponte para travessias cient\u00edficas entre os continentes hoje separados e que formaram a Pangeia entre 200 e 540 milh\u00f5es de anos durante a era Paleozoica.<\/p>\n<p>As incurs\u00f5es de paleont\u00f3logos respeitados no universo da pesquisa cient\u00edfica, como as do teuto-brasileiro Alexander Kellner , atual diretor do Museu Nacional e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, confirmam a abund\u00e2ncia da regi\u00e3o. Ali, crava Kellner, se \u201cencontram dois dos principais dep\u00f3sitos fossil\u00edferos do Brasil e do mundo: as forma\u00e7\u00f5es Crato e Romualdo\u201d.<\/p>\n<p>Tecido incomum. Em 1984, segundo o Guia para Trabalhos de Campo em paleontologia na Bacia do Araripe, o pesquisador brasileiro Di\u00f3genes de Almeida Campos descreveu \u201ca preserva\u00e7\u00e3o da membrana alar de um pterossauro\u201d. Quatro anos depois, o ingl\u00eas David Martill \u201crelatou a preserva\u00e7\u00e3o de fibras musculares, pele e ov\u00e1rio com ovos e restos estomacais em um Rhacolepis\u201d.<\/p>\n<p>S\u00f3 recentemente, fora dos dom\u00ednios da Bacia do Araripe, dois pterossauros foram descritos no Brasil. Em 2014, atesta Renan Batim, os paleont\u00f3logos Luiz Weinchu e Paulo Manzig, do Centro Paleontol\u00f3gico da Universidade do Contestado (Cenpaleo), e Alexander Kellner publicaram artigo cient\u00edfico revelando o Caiuajuara dobruskii, no Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Os ossos do Caiuajara foram descobertos por agricultores, em 1971, numa propriedade rural particular em Cruzeiro do Oeste, mas passaram anos confinados em um arm\u00e1rio do museu do Cenpaleo, em Santa Catarina. Retomada as pesquisas, foram feitas novas coletas no \u201ccemit\u00e9rio\u201d das ossadas e, finalmente, conseguiram definir a esp\u00e9cie da fam\u00edlia dos Tapejaridae.<\/p>\n<p>Do mesmo arquivo do leito de ossos, numa \u00e1rea que no passado foi um deserto, tamb\u00e9m sa\u00edram os f\u00f3sseis que revelaram o Keresdrakon vilsoni ou \u201cDrag\u00e3o esp\u00edrito da morte\u201d. Uma nova esp\u00e9cie de pterossauro, que habitou o Brasil entre 80 e 110 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>O r\u00e9ptil voador foi apresentado neste m\u00eas \u00e0 comunidade cientifica e passou a fazer parte da cole\u00e7\u00e3o do Museu da Terra e da Vida, na Universidade do Contestado, em Mafra. No artigo sobre a descoberta, publicado na Revista da Academia Brasileira de Ci\u00eancias, a assinatura de Renan Bantim e paleont\u00f3logos de sete institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Luiz Carlos Weinsch\u00fctz, coordenador do estudo e professor da Cenpaleo, afirmou que a novo pterossauro provavelmente vivia em pequenos grupos, em \u00e1reas desertas, com pouca vegeta\u00e7\u00e3o e o\u00e1sis de \u00e1gua. O r\u00e9ptil voador \u00e9 contempor\u00e2neo dos dinossauros, de carn\u00edvoros e foi considerado de grandes dimens\u00f5es, com bico grande e forte.<\/p>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que o Keresdrakon vilsoni tinha 2,50 metros de envergadura e pesava entre 15 kg e 20 kg. Como o r\u00e9ptil alado n\u00e3o tinha penas, ele teria de ser muito leve para voar e tinha ossos muito finos. \u201cUma espessura de 1,5 mm\u201d, segundo Luiz Carlos Weinsch\u00fctz. E era um pouco menor que a maioria dos pterossauros encontrados no Geopark Araripe.<\/p>\n<p>Renan Bantim usou da paleohistologia para auxiliar decifra\u00e7\u00e3o do \u201cdrag\u00e3o\u201d do Paran\u00e1, uma t\u00e9cnica em evid\u00eancia nas pesquisas mundiais, mas pouco explorada no estudo de f\u00f3sseis no Brasil. Por causa de sua especialidade e a refer\u00eancia dos achados no Cear\u00e1, o paleont\u00f3logo j\u00e1 havia participado antes da descri\u00e7\u00e3o de 260 ovos de um pterossauro da esp\u00e9cie Hamipterus tianshanensis. Eles foram encontrados no deserto de Hami, no nordeste da China, por pesquisadores chineses do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia da China (IVPP).<\/p>\n<p>\u201cO extraordin\u00e1rio \u00e9 que continham centenas de ovos, junto com filhotes, embri\u00f5es, e indiv\u00edduos adultos machos e f\u00eameas, representando uma popula\u00e7\u00e3o de pterossauros que viviam em um o\u00e1sis\u201d, vibra Bantim, doutor em Geoci\u00eancias pela Universidade Federal de Pernambuco e professor substituto da Urca.<\/p>\n<p>Bantim, \u00c1lamo Saraiva e Artur Souza, do LPU, est\u00e3o tentando abrir novas passagens para a pr\u00e9-hist\u00f3ria a partir de estudos in\u00e9ditos de um cr\u00e2nio quase completo e o bico de um novo f\u00f3ssil de pterossauro do Geopark Araripe. Ser\u00e1 o 26\u00ba descrito.<\/p>\n<p>O pterossauro ainda n\u00e3o tem nome. Por\u00e9m h\u00e1 ind\u00edcios de que o r\u00e9ptil voador tamb\u00e9m seja da fam\u00edlia dos tapejaridae. Esp\u00e9cie abundante da Chapada do Araripe encontrada, geralmente, na forma\u00e7\u00e3o Romualdo. O f\u00f3ssil, regatado em 2017 pela Pol\u00edcia Federal com a pris\u00e3o de traficantes especializados, seria uma criatura em idade juvenil. Uma chave in\u00e9dita para novas travessias pela era dos dinossauros no Cear\u00e1.<\/p>\n<div class=\"news-media\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zD0LcUWy0WM\" width=\"727\" height=\"409\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/div>\n<div>\n<article id=\"\" class=\"theme clearfix\">\n<div align=\"right\"><em>Demitri T\u00falio<\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<div align=\"center\">\n<p><strong>PTEROSSAUROS DESCRITOS DA BACIA DO ARARIPE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"left\">\n<p><strong>Fam\u00edlia\u00a0<em>Anhangueridae<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Anhanguera piscator<\/em>\u00a0(Kellner e Tomida, 2009)<\/p>\n<p><em>Anhanguera blittersdorffi<\/em>\u00a0(Campos e Kellner, 1985)<\/p>\n<p><em>Anhanguera spielbergi<\/em>\u00a0(Veldmeijer, 2003)<\/p>\n<p><em>Anhanguera santanae<\/em>\u00a0(Wellnhofer, 1985)<\/p>\n<p><em>Anhanguera araripensis<\/em>\u00a0(Wellnhofer, 1985)<\/p>\n<p><em>Maaradactylus kellnerii<\/em>\u00a0(Bantim, Saraiva, Oliveira e Say\u00e3o, 2014)<\/p>\n<p><em>Tropeognathus mesembrinus<\/em>\u00a0(Wellnhofer, 1987)<\/p>\n<p><em>Cearadactylus ligabuei<\/em>\u00a0(Dalla Vecchia, 1993)<\/p>\n<p><em>Cearadactylus atrox<\/em>\u00a0(Leonardi e Borgomanero, 1985)<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia Pteranodontoidea<\/strong><\/p>\n<p><em>Brasileodactylus araripensis<\/em>\u00a0(Kellner, 1984)<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia Ornitocheiridae<\/strong><\/p>\n<p><em>Barbosania gracilirostris<\/em>\u00a0(Elgin e Frey, 2011)<\/p>\n<p><em>Ludodactylus sibbick<\/em>\u00a0(Frey, Martill e Buchy, 2003)<\/p>\n<p><em>Arthurdacttylus conandoylei<\/em>\u00a0(Frey e Martil, 1994)<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia Ctenoschamatoidae<\/strong><\/p>\n<p><em>Uwindia trigonus\u00a0<\/em>(Martill, 2011)<\/p>\n<p><strong>Fam\u00edlia Tapejaridae<\/strong><\/p>\n<p><em>Tapejara wellnhoferi<\/em>\u00a0(Kellner, 1989)<\/p>\n<p><em>Tupuxuara longicristatus<\/em>\u00a0(Kellner e Campos, 1988)<\/p>\n<p><em>Tupuxuara leonardii<\/em>\u00a0(Kellner e Campos, 1988)<\/p>\n<p><em>Tupuxuara deliradamus<\/em>\u00a0(Wilton, 2009)<\/p>\n<p><em>Lacusovagus magnificens<\/em>\u00a0(Wilton, 2008)<\/p>\n<p><em>Tapejara navigans<\/em>\u00a0(Frey, Martill e Buchy, 2003)<\/p>\n<p><em>Thalassodromeus Sethi<\/em>\u00a0(Kellner e Campos, 2009)<\/p>\n<p><em>Tupandactylus imperator<\/em>\u00a0(Kellner e Campos, 2007)<\/p>\n<p><em>Caupedactylus ybaca<\/em>\u00a0(Kellner, 2013)<\/p>\n<p><em>Aymberedactylus cearenses<\/em>\u00a0(P\u00eagas, Leal e Kellner, 2016)<\/p>\n<p><em>Thalassodromeus oberlii<\/em>\u00a0(Headden e Campos, 2014)<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<article id=\"\" class=\"theme clearfix\">\n<header>\n<h1>Caranguejo do Araripe<\/h1>\n<\/header>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2430\/Caranguejo1.Araripe_1.jpg\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2430\/Caranguejo1.Araripe_1.jpg\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">Um caranguejo vivo, de \u00e1gua doce, e encontrado em \u00e1rea de floresta \u00famida no Geopark Araripe, no Cear\u00e1. A descoberta, dos pesquisadores Alysson Pontes, da Universidade Regional do Cariri (Urca), e de Willian Santana, da Universidade do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o (USC), de Bauru (SP), fugiu dos padr\u00f5es dos achados na Bacia do Araripe. Lugar guardi\u00e3o de um universo paralelo revelado em f\u00f3sseis de animais, plantas e outras criaturas da pr\u00e9-hist\u00f3ria do planeta.<\/div>\n<div align=\"justify\">O\u00a0<em>kingleya attenboroughi<\/em>\u00a0ou \u201ccaranguejo do Araripe\u201d, j\u00e1 encontrado em risco de extin\u00e7\u00e3o em dois riachos de Barbalha, \u00e9 outra janela para prov\u00e1veis explica\u00e7\u00f5es e ensinamentos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o esgotamento de reservas de \u00e1gua, destrui\u00e7\u00e3o de florestas no Semi\u00e1rido e o desaparecimento de esp\u00e9cies. O crust\u00e1ceo foi descrito no artigo cient\u00edfico \u201cUma nova e amea\u00e7ada esp\u00e9cie de Kingsleya Ortmann, 1897 (Crustacea: Decapoda: Brachyura: Pseudothelphusidae) do Cear\u00e1, Nordeste do Brasil\u201d.<\/div>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2430\/Caranguejo2.Araripe_1.jpg\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2430\/Caranguejo2.Araripe_1.jpg\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">Por falar em perda de biodiversidade, pelo menos sete f\u00f3sseis de crust\u00e1ceos da Bacia do Araripe foram descritos at\u00e9 hoje. S\u00e3o quatro camar\u00f5es e tr\u00eas caranguejos descobertos na Chapada do Araripe entre o Cear\u00e1 e Pernambuco. Dois caranguejos apresentados \u00e0 comunidade cient\u00edfica este ano, o\u00a0<em>Exucarcinus gonzagai<\/em><em>eRomualdocarcinus salesi<\/em>.<\/div>\n<div align=\"justify\">O bi\u00f3logo, p\u00f3s-doutor pelo Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo e atual diretor do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, Alysson Pontes Pinheiro, dialoga sobre o que pode significar a ocorr\u00eancia do\u00a0<em>kingleya attenboroughi<\/em>\u00a0bem longe do mar e a poss\u00edvel liga\u00e7\u00e3o com floresta Amaz\u00f4nica. Al\u00e9m de contar tamb\u00e9m sobre outra pesquisa que faz uma ponte entre o Geopark Araripe \u00e0 f\u00f3sseis encontrados no gelo da Ant\u00e1rtica.<\/div>\n<div align=\"left\">\n<div align=\"justify\"><strong>O POVO<\/strong>\u00a0\u2013 O senhor e o professor Willian Santana descobriram um caranguejo de \u00e1gua doce num ambiente de floresta \u00famida, no Geopark Araripe, o kingleya attenboroughi. Em que fase est\u00e1 a pesquisa?<\/div>\n<div align=\"justify\"><strong>Allysson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 O\u00a0<em>Kingsleya attenboroughi<\/em>\u00a0foi descoberto h\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos (abril de 2016) em riachos do distrito de Arajara, no munic\u00edpio de Barbalha. Em sua descoberta alertamos para a previs\u00e3o de que o caranguejo deveria j\u00e1 estar em risco de extin\u00e7\u00e3o. Desde est\u00e3o tentamos obter maiores informa\u00e7\u00f5es sobre o animal e desenvolvemos trabalhos de pesquisa junto \u00e0s comunidades sobre os usos do caranguejo para avaliar os impactos sobre sua distribui\u00e7\u00e3o para compreender onde ele de fato est\u00e1 presente e quais os riscos e o que favorece sua presen\u00e7a.<\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p><strong>OP\u00a0<\/strong>\u2013 A pesquisa tamb\u00e9m se estende a cativeiro?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 Sim. Os estudos sobre os comportamentos em cativeiro iniciando o que seria uma tentativa de reprodu\u00e7\u00e3o para repovoar a regi\u00e3o. Em cativeiro, a esp\u00e9cie consegue desenvolver seus comportamentos satisfatoriamente, inclusive, com c\u00f3pula documentada embora ainda n\u00e3o tenhamos conseguido reproduzi-lo. As observa\u00e7\u00f5es devem orientar a educa\u00e7\u00e3o ambiental, mostrando a import\u00e2ncia do animal para o ambiente. O papel dele e como a presen\u00e7a do caranguejo pode, inclusive, ser ben\u00e9fica \u00e0s comunidades. Hoje, o que sabemos \u00e9 que as comunidades, praticamente, desconheciam a presen\u00e7a do animal sem nenhum uso espec\u00edfico.<\/p>\n<div align=\"justify\"><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 O caranguejo est\u00e1 em todos os leitos de \u00e1gua doce de Barbalha?<br \/>\n<strong><br \/>\nAllyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 O que sabemos \u00e9 que ele est\u00e1 presente em apenas dois riachos da regi\u00e3o. O que \u00e9 pouqu\u00edssimo e confirma seu status inicial de em perigo de extin\u00e7\u00e3o, afetado especialmente pela redu\u00e7\u00e3o dos corpos h\u00eddricos e expans\u00e3o imobili\u00e1ria. A popula\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da \u00e1rea de ocorr\u00eancia tem respondido positivamente \u00e0s conversas sobre a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o do animal e boas iniciativas, inclusive, de empreendimentos privados pr\u00f3ximos ao local de ocorr\u00eancia t\u00eam surgido.<\/p>\n<div align=\"justify\">\n<p><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 O que significa a presen\u00e7a dele no Geopark Araripe?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 Do ponto de vista da ci\u00eancia, a descoberta nos ajuda a entender a hist\u00f3ria da evolu\u00e7\u00e3o do clima e da paisagem da Am\u00e9rica do Sul. O caranguejo faz parte de um grupo amaz\u00f4nico, essa informa\u00e7\u00e3o confirma que, ao longo da hist\u00f3ria do planeta, as varia\u00e7\u00f5es do clima fizeram com que, em algum momento, a floresta Amaz\u00f4nica se estendesse at\u00e9 o que \u00e9 hoje a Chapada do Araripe. Outra informa\u00e7\u00e3o interessante e importante \u00e9 que, possivelmente, os riachos onde o Caranguejo do Araripe \u00e9 encontrado s\u00e3o os \u00fanicos que permaneceram com \u00e1gua continua dezenas de milhares de anos, per\u00edodo estimado do fim da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 Essa esp\u00e9cie de caranguejo j\u00e1 foi abundante no Cear\u00e1?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 N\u00e3o se tem dados precisos sobre a abund\u00e2ncia hist\u00f3rica do caranguejo do Araripe, mas, ap\u00f3s a descoberta, v\u00e1rias pessoas relataram que em d\u00e9cadas passadas ele teria uma ocorr\u00eancia bem maior do que a atual na regi\u00e3o. Os motivos da diminui\u00e7\u00e3o devem estar relacionados com o aquecimento do planeta, secas mais frequentes, expans\u00e3o imobili\u00e1ria e tudo isso se relaciona com a disponibilidade de \u00e1gua. Estamos inseridos em uma matriz semi\u00e1rida onde \u00e1gua, por defini\u00e7\u00e3o, tende a ser cada vez mais rara.<\/p>\n<p><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 O perigo de extin\u00e7\u00e3o do caranguejo \u00e9 mais um alerta sobre a recarga d\u00b4\u00e1gua no Cariri cearense?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 H\u00e1 diversos estudos que mostram que a regi\u00e3o do Cariri, apesar de ainda representar um o\u00e1sis no meio ao sert\u00e3o, tem sofrido com disponibilidade cada vez menor de \u00e1gua. H\u00e1 baixa recarga dos mananciais e risco de colapso em um horizonte temporal curto. Com cada vez menos \u00e1gua, maior tende a ser press\u00e3o sobre a \u00e1gua dispon\u00edvel. Dessa forma, de alguma maneira, a presen\u00e7a do caranguejo do Araripe e sua preserva\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o est\u00e3o ligadas diretamente \u00e0 sobreviv\u00eancia do pr\u00f3prio homem na regi\u00e3o. Matas preservadas resultam em melhor recarga. O que garante \u00e1gua corrente e traz a condi\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia do caranguejo. Tamb\u00e9m a polui\u00e7\u00e3o pode ser um problema, mas o mais urgente hoje \u00e9 ter \u00e1gua nos rios.<\/p>\n<p><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 O senhor, juntamente com o paleont\u00f3logo \u00c1lamo Saraiva, est\u00e1 descrevendo um f\u00f3ssil de lagosta na Ant\u00e1rtica. Que esp\u00e9cie \u00e9 essa?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 Estamos colaborando com o Museu Nacional em um projeto que estuda f\u00f3sseis da Ant\u00e1rtica. Foi coletado bastante material de crust\u00e1ceos que est\u00e1 sendo analisado e, em breve, deveremos apresentar novidades. O material analisado \u00e9 um pouco mais recente do que o do Araripe, cerca de 70 milh\u00f5es de anos. N\u00e3o posso adiantar mais detalhes at\u00e9 que o achado tenha sido cientificamente aceito.<\/p>\n<div align=\"justify\">\n<p><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 Por qual motivo os pesquisadores do Geopark Araripe foram convidados para integrar a pesquisa?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 Fomos convidados a compor a equipe do Museu Nacional em virtude da experi\u00eancia comprovada pelo grupo da Universidade Regional do Cariri em trabalhar com crust\u00e1ceos f\u00f3sseis. Ainda s\u00e3o poucos os pesquisadores brasileiros que se dedicam a este grupo f\u00f3ssil. O projeto do Museu Nacional chama-se PaleoAntar. \u00c9 coordenado pelo atual diretor do Museu Nacional, o professor Alexander Kellner, que \u00e9 colaborador de longa data da Urca e do Geopark Araripe. O Projeto est\u00e1 em pleno desenvolvimento, j\u00e1 ocorreram quatro idas ao continente gelado, das quais uma eu tive a oportunidade de participar. Muito material foi coletado e trazido para o Museu Nacional. O projeto tinha foco inicial em vertebrados f\u00f3sseis, especialidade do professor Kellner. No entanto, foi ampliado para contemplar outros aspectos em virtude da quantidade e qualidade do material encontrado.<\/p>\n<div align=\"justify\">\n<p><strong>OP<\/strong>\u00a0\u2013 O senhor \u00e9 o novo diretor do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri. O que falta para o Museu ser refer\u00eancia no mundo j\u00e1 que est\u00e1 na Bacia do Araripe?<\/p>\n<p><strong>Allyson Pontes<\/strong>\u00a0\u2013 O Museu de Paleontologia Pl\u00e1cido Cidade Nuvens tem um potencial extraordin\u00e1rio em virtude da quantidade e qualidade de seu acervo. S\u00e3o 6 mil pe\u00e7as catalogadas de diversos grupos e atualmente temos 17 hol\u00f3tipos. O hol\u00f3tipo \u00e9 aquela pe\u00e7a que d\u00e1 nome a uma esp\u00e9cie descrita. Em qualquer museu esse \u00e9 o material mais importante. O museu tem crescido em visibilidade e import\u00e2ncia, haja vista o destaque recente no carnaval carioca. Cresce anualmente em visita\u00e7\u00e3o. Ano passado foi visitado por 36 pa\u00edses e este ano registramos 20 pa\u00edses. Em import\u00e2ncia cient\u00edfica, atualmente temos um pesquisador chin\u00eas com bolsa da Funcap para trabalhar com pterossauros e um aluno de doutorado portugu\u00eas que far\u00e1 uma tese com aproveitamento do rejeito da pedra Cariri. Para continuar avan\u00e7ando precisamos continuar ganhando respeito cient\u00edfico com colabora\u00e7\u00f5es entre institui\u00e7\u00f5es e pesquisadores. Ainda este ano, devemos assinar um conv\u00eanio com a China para colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, da mesma forma com o Senckenberg Institute da Alemanha. Al\u00e9m de uma colabora\u00e7\u00e3o, cada vez maior, com o Museu Nacional e o Museu de Zoologia da USP.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<div align=\"center\"><\/div>\n<div align=\"center\"><strong>CRUST\u00c1CEOS DESCRITOS NA BACIA DO ARARIPE<\/strong><\/div>\n<p><strong>Camar\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p><em>Beurlenia araripensis<\/em>\u00a0(Martins Neto e Mezzalira, 1991)<\/p>\n<p><em>Paleomattea deliciosa<\/em>\u00a0(Maisey e Carvalho, 1995)<\/p>\n<p><em>Kellnerius jamacaruensis<\/em>\u00a0(Santana Pinheiro, da Silva Saraiva, 2013)<\/p>\n<p><em>Araripenaeus timidus<\/em>\u00a0(Pinheiro, Saraiva e Santana, 2014)<\/p>\n<p><strong>Caranguejo<\/strong><\/p>\n<p><em>Araripecarcinus ferreirae<\/em>\u00a0(Martins Neto, 1987)<\/p>\n<p><em>Exucarcinus gonzagai<\/em>\u00a0(Ludmila Cadeira do Prado, 2019)<\/p>\n<p><em>Romualdocarcinus salesi<\/em>\u00a0(Ludmila Cadeira do Prado, 2019)<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<\/article>\n<div class=\"separador\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/187\/12577\/GEOPARK3.jpg\" \/><\/div>\n<section id=\"\" class=\"info\">\n<header>\n<h1><\/h1>\n<h1>O QUE VISITAR NO GEOPARK<\/h1>\n<p class=\"desc\">O peregrino que quiser se aventurar pelas trilhas oficiais do Geopark Araripe, primeiro das Am\u00e9ricas e \u00fanico no Brasil chancelado pela Unesco, ter\u00e1 avistamentos surpreendentes no Cariri cearense. O geoparque \u00e9 um lugar de turismo cient\u00edfico, de aventura e religioso nos nove geoss\u00edtios, situados em seis munic\u00edpios. Por enquanto!<\/p>\n<\/header>\n<div class=\"box-img info01 clearfix\"><img decoding=\"async\" class=\"fig-info\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/215\/12456\/mapa.png\" \/><\/div>\n<div><\/div>\n<\/section>\n<div class=\"separador\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/187\/12579\/GEOPARK4.jpg\" \/><\/div>\n<article id=\"\" class=\"theme clearfix\">\n<header>\n<h1><\/h1>\n<h1>Territ\u00f3rio sustent\u00e1vel<\/h1>\n<p class=\"desc\">Reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Francisco Lima J\u00fanior, afirma que &#8221;n\u00e3o se faz desenvolvimento sustent\u00e1vel a curto prazo. Leva tempo&#8221;. No Geopark Araripe falta afinar a gest\u00e3o com as prefeituras<\/p>\n<\/header>\n<div align=\"justify\">\n<div><\/div>\n<p>\u201cO Geopark Araripe n\u00e3o \u00e9 um parque de divers\u00f5es fechado para visita\u00e7\u00e3o tur\u00edstica\u201d. Quem diz \u00e9 o reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Francisco do O&#8217; de Lima J\u00fanior, membro da Equipe do Araripe Geopark Mundial da Unesco, doutor em Desenvolvimento Econ\u00f4mico e professor do Departamento de Economia da Urca. A afirma\u00e7\u00e3o foi uma resposta a questionamento sobre a falta de estrutura para o recebimento de visitantes na maioria dos nove geoss\u00edtios visitados pelo O POVO. Onde n\u00e3o h\u00e1 locais para alimenta\u00e7\u00e3o, hidrata\u00e7\u00e3o simples, banheiros e seguran\u00e7a no lugar.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">Em entrevista por e-mail, ele explicou que o equipamento, criado e chancelado pela Unesco em 2006, \u201c\u00e9 um territ\u00f3rio que envolve toda extens\u00e3o de seis munic\u00edpios e dentro deles h\u00e1 espa\u00e7os para visita\u00e7\u00e3o monitorada e acompanhada pela gest\u00e3o do Geoapark Araripe. Alguns de iniciativa privada\u201d, detalhou.<\/div>\n<div align=\"justify\">O reitor, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisador l\u00edder do Grupo de Pesquisa em Territorialidades Econ\u00f4micas e Desenvolvimento Regional Urbano do Getedru\/DE-Urca, afirmou que em alguns s\u00edtios n\u00e3o \u00e9 permitido ter restaurante. Como, por exemplo, o Parque Estadual S\u00edtio Fund\u00e3o que \u201c\u00e9 uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o (UC) e ao mesmo tempo um geoss\u00edtio\u201d. L\u00e1, como O POVO testou, abrange uma \u00e1rea do geoss\u00edtio Batateiras (Crato) e h\u00e1 seguran\u00e7a e estrutura de portaria por se tratar de uma UC estadual consolidada.<\/div>\n<div align=\"justify\">Outros equipamentos, parceiros do Geopark, \u201cest\u00e3o preparados para visita\u00e7\u00e3o, banho, alimenta\u00e7\u00e3o e hospedagem para mil pessoas por final de semana\u201d, informou o reitor da Urca. Ele cita como exemplo, o Arajara Park, em Barbalha. Um clube serrano particular e que est\u00e1 dentro do projeto de desenvolvimento sustent\u00e1vel sugerido pela exist\u00eancia de um geoparque no Cariri cearense.<\/div>\n<div align=\"justify\">Outros s\u00edtios em raz\u00e3o de fragilidades naturais e possibilidade de degrada\u00e7\u00e3o, observou Lima J\u00fanior, s\u00f3 podem ser visitados com agendamento para se controlar os impactos nos registros rochosos. \u00c9 o caso da Floresta Petrificada, geoss\u00edtio localizado em Miss\u00e3o Velha e desenhado em uma \u201c\u00e1rea de pesquisa e de interpreta\u00e7\u00e3o ambiental\u201d. O visitante, orienta o gestor da Urca, pode \u201cacessar o site do\u00a0<a href=\"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/\" target=\"blank\">Geopark Araripe<\/a>\u00a0ou agendar por telefone (88)3102 1237).<\/div>\n<div align=\"justify\">Para Lima J\u00fanior, tamb\u00e9m professor do Programa de Mestrado em Planejamento e Din\u00e2micas Territoriais do Semi\u00e1rido da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), \u201cn\u00e3o se faz desenvolvimento sustent\u00e1vel a curto prazo. Leva tempo\u201d. Ele cita, como exemplo, a pend\u00eancia na defini\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o, com a prefeitura de Barbalha, do geoss\u00edtio Riacho do Meio.<\/div>\n<div align=\"justify\">A \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o ambiental oferece como atrativos a observa\u00e7\u00e3o do Soldadinho-do-Araripe, trilhas e o contato com nascentes e floresta preservadas. \u201cTem infraestrutura excelente\u201d, escreveu o reitor. No entanto, n\u00e3o possui receptivo nem contava com seguran\u00e7a nas duas ocasi\u00f5es em que a equipe do O POVO esteve l\u00e1.\u00a0\u00a0 \u201cV\u00e1rias audi\u00eancias est\u00e3o sendo realizadas e o planejamento estrat\u00e9gico do Geopark Araripe est\u00e1 contemplando essas externalidades\u201d, observou Lima J\u00fanior.<\/div>\n<div align=\"justify\">Para a cria\u00e7\u00e3o do Geopark Araripe em 2006, o primeiro das Am\u00e9ricas e o \u00fanico do Brasil, as prefeituras dos seis munic\u00edpios se comprometeram a apoiar e gerir equipamentos j\u00e1 existentes em seus territ\u00f3rios. Responsabilidades, lembra o reitor, pactuadas por conv\u00eanio e destinadas a promover a geoeduca\u00e7\u00e3o, geoconserva\u00e7\u00e3o e geoturismo.<\/div>\n<div align=\"justify\">A exist\u00eancia de f\u00f3sseis na Bacia do Araripe e a possibilidade do contato com interpreta\u00e7\u00f5es sobre a pr\u00e9-hist\u00f3ria levaram O POVO ao Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (LPU), no Crato, e ao Museu Paleontologia de Santana do Cariri. Equipamentos ligados, diretamente, a raz\u00e3o de existir o Geopark.<\/div>\n<div align=\"justify\">No LPU, de onde saem pesquisas importantes sobre a transforma\u00e7\u00e3o do planeta, n\u00e3o tem estrutura adequada para prepara\u00e7\u00e3o e descri\u00e7\u00e3o dos f\u00f3sseis. No pr\u00e9dio pequeno, paleont\u00f3logos e estudantes se apertam entre mesas, prateleiras e pedras sem acondicionamento apropriado.<\/div>\n<div align=\"justify\">De acordo com o reitor Francisco Lima J\u00fanior, \u201co Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Urca \u00e9 da Urca, n\u00e3o do Geopark Araripe\u201d. Durante a visita de dois avaliadores da Unesco, no m\u00eas passado, segundo o gestor, foram apresentados os laborat\u00f3rios de paleontologia do Museu de Santana do Cariri. Que t\u00eam como curador o coordenador LPU, professor \u00c1lamo Saraiva.<\/div>\n<div align=\"justify\">A Urca, reconhece Lima J\u00fanior, precisa contratar novos professores para compor o quadro de paleont\u00f3logos. \u201cA demanda j\u00e1 foi solicitada ao governador do Cear\u00e1 (Camilo Santana)\u201d, disse. E, completou o reitor, \u201cj\u00e1 est\u00e1 agendada para este ano, a reforma no atual espa\u00e7o do LPU no Campus do Pimenta 2 (Crato), que ser\u00e1 aumentado em 100% e acolher\u00e1 aulas com outros professores do curso de Biologia e Educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/div>\n<div align=\"justify\">Lima J\u00fanior afirmou ainda que o LPU conta com o \u201cmaior acervo de equipamentos e tr\u00eas bolsas de pesquisa\u201d. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m s\u00e3o partes do LPU os \u201ctr\u00eas laborat\u00f3rios no Museu de Paleontologia de Santana do Cariri vazios, sem uso destinado para esse grupo de pesquisa\u201d. Ainda no Museu, \u201ctr\u00eas salas foram reformadas para acolher as pesquisas e os pesquisadores do LPU.<\/div>\n<div align=\"justify\">O projeto de reforma do LPU, no Crato, \u201ctem um plano de reforma e amplia\u00e7\u00e3o aprovado pela Reitoria da Urca com financiamento do projeto da constru\u00e7\u00e3o da Transnordestina\u201d. A Urca, explicou Lima J\u00fanior, est\u00e1 com a guarda do acervo arqueol\u00f3gico recolhido na obra da rodovia. \u201cMas os recursos ainda n\u00e3o foram liberados\u201d, informou.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"right\"><em>Demitri T\u00falio<\/em><\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<div align=\"left\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>OS LABORAT\u00d3RIOS<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 diferen\u00e7as entre os laborat\u00f3rios do Museu de Paleontologia, em Santana do Cariri, e o Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (LPU). \u00c1lamo Saraiva, coordenador do LPU, explica que os equipamentos do Museu contam apenas com m\u00e1quinas de prepara\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e lupas para auxiliar os pesquisadores e estudantes que v\u00e3o at\u00e9 Santana ver um determinado grupo de f\u00f3sseis para complementar pesquisa.<\/p>\n<div align=\"justify\">J\u00e1 o LPU \u00e9 o espa\u00e7o para pesquisas e contam com aparelhos de prepara\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e qu\u00edmica, material de apoio para trabalhos de campo, microsc\u00f3pios e microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico. \u201cN\u00e3o \u00e9 dispens\u00e1vel dizer que os alunos de Biologia est\u00e3o no campus Pimenta (Crato), onde est\u00e1 o LPU. \u00c9 imposs\u00edvel, sem transporte di\u00e1rio, os estudantes desse campus desenvolverem atividades em Santana, que est\u00e1 a 53km do Museu\u201d, observa \u00c1lamo Saraiva.<\/div>\n<\/div>\n<div align=\"right\"><\/div>\n<\/article>\n<div class=\"separador\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/187\/12581\/GEOPARK5.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<article id=\"not6\" class=\"theme clearfix noticia\">\n<header>\n<h1>Fam\u00edlia de ex-peixeiros<\/h1>\n<p class=\"desc\">O projeto Geopark Araripe pode mudar a trajet\u00f3ria de algumas escritas enviesadas. O tr\u00e1fico de f\u00f3sseis, por exemplo, foi interrompido na hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia em Santana do Cariri<\/p>\n<\/header>\n<div align=\"justify\">\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2432\/4E9A1733.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2432\/4E9A1733.JPG\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em uma mata de transi\u00e7\u00e3o de Caatinga, no Parque dos Pterossauros, Ant\u00f4nio Ara\u00fajo Ferreira, 55, vai e volta na inf\u00e2ncia em Santana do Cariri. Entre as recorda\u00e7\u00f5es, as hist\u00f3rias marcantes do pai, Bonif\u00e1cio Malaquias Ferreira, j\u00e1 falecido. Um agricultor que, por necessidade, falta de informa\u00e7\u00e3o e demanda constante de traficantes de f\u00f3sseis \u00e0 porta, largou a ro\u00e7a para cavar e vender f\u00f3sseis para contrabandistas de \u201cpassado\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">\u00c9 Ara\u00fajo quem conta ter vindo de uma \u201cfam\u00edlia de peixeiros\u201d. Era \u201co av\u00f4, o pai, os tios\u201d, os vizinhos. \u201cCresci vendo eles arrancarem f\u00f3sseis para vender aos homens que passavam perguntado pelas pedras. Assuntando se tinha encontrado alguma coisa nos terrenos das planta\u00e7\u00f5es. Antigamente tinha mais essa coisa clandestina\u201d, relembra.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u201cPeixeiro\u201d, na defini\u00e7\u00e3o de quem nasceu e se criou na Bacia do Araripe, eram muitos moradores e forasteiros que saiam cavando o solo da Chapada atr\u00e1s de encontrar \u201cpedras de peixes\u201d. F\u00f3sseis comuns da Forma\u00e7\u00e3o Romualdo, uma das camadas geol\u00f3gicas onde est\u00e3o assentados o munic\u00edpio de Santana do Cariri e quase todo o territ\u00f3rio do Gepark Araripe. Lugar testemunho de que o sert\u00e3o, na pr\u00e9-hist\u00f3ria, j\u00e1 foi mar. E teve grandes lagos de \u00e1gua salgada ou doce, abundantes de vida e ressurg\u00eancias.<\/div>\n<div align=\"justify\">Por causa de algum evento ambiental impactante na Terra, h\u00e1 milh\u00f5es de anos, tudo que era bicho, tudo que era planta, pterossauros, camar\u00f5es, p\u00f3len, aves, dinossauros, r\u00e3s, lib\u00e9lulas, tartarugas, tubar\u00f5es&#8230; morreram e uma parte foi se arquivando na pedra.<\/div>\n<div align=\"justify\">Fossilizando-se. \u201cVoc\u00ea imaginar coisa assim, a natureza? Eu tinha doze anos, quando ia levar almo\u00e7o, caf\u00e9, pra meu pai, meus tios, meu av\u00f4 e via eles carregam sacos com 50, 60, pedras de peixes\u201d, reaviva Ara\u00fajo.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2432\/IMG_3039.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2432\/IMG_3039.JPG\" \/><figcaption>(Foto: Demitri T\u00falio)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">Seu Bonif\u00e1cio ou Bone, rememora o filho, teria despertado para o com\u00e9rcio clandestino de f\u00f3sseis depois que um traficante o abordou interessado em catar \u201cumas pedras\u201d num ro\u00e7ado de pr\u00e9-esta\u00e7\u00e3o, entre o ver\u00e3o e a espera por inverno bom. \u201cDepois que o homem saiu, meu pai pegou uma daquelas pedras e foi batendo, batendo nela, e pou! Se abriu em bandas e ele descobriu um peixe lindo. Tava descoberto o mist\u00e9rio das pedras que o homem ca\u00e7ava\u201d, recapitula das conversas que ouviu na inf\u00e2ncia.<\/div>\n<div align=\"justify\">De 1961 at\u00e9 um pouco antes de falecer, em 2011, seu Bone cavucou atr\u00e1s de f\u00f3sseis o quanto deu. Reconhecido como um ex\u00edmio escavador, conhecedor leigo das camadas geol\u00f3gicas e a identifica\u00e7\u00e3o de quais tipos de f\u00f3sseis estariam depositados ali, acabou sendo convidado por paleont\u00f3logos da Universidade Regional do Cariri (Urca) para fazer parte das escava\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u201cNo come\u00e7o, ele desconfiou\u201d, revive Ara\u00fajo. \u201cChamar um homem que vendia f\u00f3sseis na pra\u00e7a, nas esquinas de Santana? Uma coisa que era ilegal, proibido?\u201d. Mas depois aceitou. E nas idas para as escava\u00e7\u00f5es no geoss\u00edtio do Parque dos Pterossaros, agora para ensinar paleont\u00f3logos enrolados na teoria e pouca pr\u00e1tica de campo, levava o filho Ara\u00fajo a tiracolo.<\/div>\n<div align=\"justify\">Foi desse jeito que Ant\u00f4nio Ara\u00fajo Ferreira acabou se \u201cdesenveredando\u201d do rumo do tr\u00e1fico de f\u00f3sseis. Era o destino, reconhece o hoje funcion\u00e1rio terceirizado do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri e um dos escavadores do Parque dos Pterossauros. H\u00e1 dez anos, Ara\u00fajo ganha um sal\u00e1rio pelo of\u00edcio que desempenha no Geopark Araripe.<\/div>\n<div align=\"justify\">Na boca de Ara\u00fajo, Geopark Araripe tem pron\u00fancia diferente. \u00c9 significado de outros tempos, de alguma perspectiva para o turismo e outras atividades contra o tr\u00e1fico de f\u00f3sseis na Bacia do Araripe. O ganho de dinheiro ainda \u00e9 pouco para o escavador, mas complementa a renda da fam\u00edlia de Ara\u00fajo, que cria \u201cumas galinhas, uns porcos e outras cria\u00e7\u00f5es\u201d. A esposa estuda e trabalha e os tr\u00eas filhos estudam.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2432\/IMG_3101.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2432\/IMG_3101.JPG\" \/><figcaption>(Foto: Demitri T\u00falio)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">As hist\u00f3rias de seu Bonif\u00e1cio n\u00e3o \u201cdesorgulham\u201d o mo\u00e7o j\u00e1 feito, que foi criado vendo o av\u00f4 e os tios acharem as deslumbrantes \u201cpedras de peixes\u201d. Tinham valor, mas os atravessadores e traficantes de fora eram os que mais sabiam especular com os f\u00f3sseis para colecionadores, cientistas brasileiros e estrangeiros e museus renomados no mundo. \u201cMeu pai sabia que tinha import\u00e2ncia, mas saia barato. Nunca se endinheirou\u201d, ressente Ara\u00fajo.<\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p>N\u00e3o sai da mem\u00f3ria de Ara\u00fajo o dia em que o pai achou \u201ccinco rodas (talvez v\u00e9rtebras) de um pterossauro\u201d. Nem quando cavou uma pedra em formato semelhante de um \u201cped\u00fanculo de caju\u201d. Os traficantes cresceram os olhos e ca\u00edram em cima para levar, era incomum em meio ao oceano de \u201cpedra de peixe\u201d. O suposto pterossauro, recorda, foi vendido por \u201cuns contos. Quem comprou, depois, revendeu por R$ 60 e outro repassou por R$ 600. E quanto n\u00e3o ter\u00e1 custado no estrangeiro?\u201d, se pergunta Ara\u00fajo.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"center\"><strong>PARQUE DOS PTEROSSAUROS<\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p>&#8211; O Parque dos Pterossauros fica no S\u00edtio Canabrava, em Santana do Cariri, h\u00e1 521 km de Fortaleza (CE). S\u00e3o 18,2 hectares de Caatinga onde se pode escavar para prospec\u00e7\u00f5es paleontol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>&#8211; A propriedade, segundo \u00c1lamo Saraiva, do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Urca, foi doado por um empres\u00e1rio norte-americano.<\/p>\n<p>&#8211; Desinformado sobre as leis no Brasil contra o tr\u00e1fico de f\u00f3sseis, o empres\u00e1rio teria comprado o s\u00edtio na d\u00e9cada de 80 para levar f\u00f3sseis daqui e vend\u00ea-los nos EUA, onde o com\u00e9rcio \u00e9 legal.<\/p>\n<p>&#8211; Nos EUA, segundo \u00c1lamo Saraiva, teria deixado o com\u00e9rcio de peixe vivo para se dedicar a busca por \u201cpedras de peixes\u201d encontradas na \u201cin\u00f3spita\u201d Santana do Cariri.<\/p>\n<p>&#8211; Preso com uma carga de f\u00f3sseis, teria conseguido provar que desconhecia a ilegalidade. Descontente, teria resolvido doar as terras para a Urca.<\/p>\n<p>&#8211; No dia em que estivemos no Parque dos Pterossauros havia uma escava\u00e7\u00e3o de 5m x 5m. Uma sala de aula a c\u00e9u aberto, onde se encontram 5,2 f\u00f3sseis por cada metro c\u00fabico de sedimento. H\u00e1 n\u00edveis com 15 exemplares.<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<div class=\"separador separador\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/187\/12607\/GEOPARK6.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<article id=\"not11\" class=\"theme clearfix noticia\">\n<header>\n<h1>Dois universos paralelos<\/h1>\n<p class=\"desc\">Os s\u00edtios Santa F\u00e9 e Caldeir\u00e3o do Deserto da Santa Cruz, no Crato, contam outras hist\u00f3rias, al\u00e9m da paleontologia, sobre a forma\u00e7\u00e3o do povo Cariri. Os dois aguardam o selo de geoss\u00edtio<\/p>\n<\/header>\n<div align=\"justify\">\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2433\/4E9A7593.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2433\/4E9A7593.JPG\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/ O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Depois de uma pequena trilha de 700 metros e uma entrada \u00e0 esquerda ap\u00f3s a cerca de sabi\u00e1s, um pared\u00e3o de arenito na mata fechada tem segredos. Pinturas e esculturas rupestres, provavelmente, de tuiui\u00fas, de uma serpente e de outros enigmas desenham partes da rocha gasta. Bem por ali, supostamente, entran\u00e7aram ind\u00edgenas seguindo o caminho das \u00e1guas do Cariri. Povos que habitaram ou atravessaram o Sul do Cear\u00e1 antes das invas\u00f5es europeias, no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">Por ali tamb\u00e9m, se demorou a arque\u00f3loga Rosiane Limaverde, da Funda\u00e7\u00e3o Casa Grande e do Memorial do Homem Kariri. Pesquisou e tentou decifrar quais outros passados nos fizeram na diversa Chapada do Araripe. O S\u00edtio Santa F\u00e9, onde a cole\u00e7\u00e3o de desenhos rupestres registra parte desse labirinto arqueol\u00f3gico, aguarda valida\u00e7\u00e3o do Geopark Araripe e da Unesco para se transformar no mais novo geoss\u00edtio da regi\u00e3o.<\/div>\n<div align=\"justify\">O S\u00edtio de nove hectares, distante 23 km da sede de Crato, foi comprado pelo empres\u00e1rio Dem\u00e9trio Jereissati, 59. Dono do Iu-\u00e1 Hotel, sediado em Juazeiro do Norte, Jereissati enxergou no Santa F\u00e9 a possibilidade de estender a oferta de turismo sustent\u00e1vel aos clientes e contribuir com forma\u00e7\u00e3o educacional e profissional diferenciada de crian\u00e7as e jovens da Funda\u00e7\u00e3o Casa Grande, em Nova Olinda.<\/div>\n<div align=\"justify\">Na Casa Grande, meninos e meninas de Nova Olinda, de cidades do entorno e at\u00e9 de lugares mais longe do Cariri compartilham viv\u00eancias de gest\u00e3o cultural tecidas por cadeiras de mem\u00f3ria, de arqueologia inclusiva, da hist\u00f3ria do homem do Cariri, de m\u00fasica, de paleontologia, da comunica\u00e7\u00e3o e do empreendedorismo juvenil.<\/div>\n<div align=\"justify\">Ser\u00e1 uma parceria entre a iniciativa privada e empreendedores sociais da comunidade, como sugere um dos conceitos do territ\u00f3rio geoparque. Quando o geoss\u00edtio for realidade, conta Dem\u00e9trio Jereissati, a Funda\u00e7\u00e3o Casa Grande administrar\u00e1 o equipamento. E o destino Santa F\u00e9 entrar\u00e1 na rota dos passeios ofertados pelo Iu-\u00e1 Hotel.<\/div>\n<div align=\"justify\">Por enquanto, observa Paj\u00e9 ou Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Bezerra, 41, um dos guias de turismo do Iu-\u00e1 Hotel, o patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico descoberto por Rosiane Limaverde, falecida em 2017, passar\u00e1 por estrutura\u00e7\u00e3o para garantir a prote\u00e7\u00e3o das pinturas rupestres e da mata.<\/div>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2433\/FOTOSGEOPARK3_1.jpg\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2433\/FOTOSGEOPARK3_1.jpg\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/ O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">De Santa F\u00e9, a bordo do \u201cdoblossauro\u201d, ve\u00edculo que tem uma r\u00e9plica gigante de um pterossauro no teto, seguimos para o S\u00edtio Caldeir\u00e3o da Santa Cruz do Deserto, tamb\u00e9m no Crato. Da mesma forma, aguarda do Geopark Araripe o selo de geoss\u00edtio. S\u00e3o nove at\u00e9 agora.<\/div>\n<div align=\"justify\">No Caldeir\u00e3o, o patrim\u00f4nio \u00e9 mais imaterial do que edificado ou registrado em rochas. Uma igreja branca e azul, um cemit\u00e9rio com cruzes de madeira atr\u00e1s do templo, um casebre e ru\u00ednas de outras constru\u00e7\u00f5es restaram de um bombardeio em 1937.<\/div>\n<div align=\"justify\">Foi quando o Ex\u00e9rcito do anticomunista Get\u00falio Vargas e a Pol\u00edcia Militar do Cear\u00e1, \u201cculiados\u201d com a c\u00fapula da igreja Cat\u00f3lica de Crato e de Fortaleza, invadiram o povoado e mataram centenas de pessoas, falam em 400, 800 ou mil.<\/div>\n<div align=\"justify\">Como os \u201cvencedores\u201d s\u00e3o os primeiros a escrever a hist\u00f3ria \u201coficial\u201d, n\u00e3o h\u00e1 lista dos mortos e desaparecidos da comunidade fundada pelo beato Jose Louren\u00e7o. Um preto paraibano, filho de alforriados que veio para o Cear\u00e1 a convite do Padre C\u00edcero Rom\u00e3o Batista.<\/div>\n<div align=\"justify\">O padre, lideran\u00e7a religiosa e pol\u00edtica do Cariri, concedeu ao beato Jos\u00e9 Louren\u00e7o o direito de abrigar no S\u00edtio Caldeir\u00e3o levas de fam\u00edlias de retirantes, de agricultores explorados por coron\u00e9is do Nordeste, de rezadeiras, de pobres e devotos do \u201cpadim\u201d.<\/div>\n<div align=\"justify\">Teria dado t\u00e3o certo a vida em comunidade e a divis\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agropastoril, que os ensinamentos messi\u00e2nicos do beato incomodaram as elites pol\u00edticas e religiosas do Cariri, de Fortaleza e do Rio de Janeiro.<\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p>Do dia para noite, foram acusados de \u201ccomunistas\u201d, al\u00e9m de fan\u00e1ticos do Padre C\u00edcero. E, sob o pretexto da amea\u00e7a de uma nova Canudos de Ant\u00f4nio Conselheiro, Get\u00falio Vargas mandou acabar com o Caldeir\u00e3o, em 1937. O Ex\u00e9rcito nega o massacre, mas h\u00e1 registro em jornais da \u00e9poca.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"right\"><em>Demitri T\u00falio<br \/>\n<\/em><\/div>\n<div align=\"left\"><strong>SOBRE O S\u00cdTIO CALDEIR\u00c3O<br \/>\n<\/strong><br \/>\n<strong>37 KM<\/strong><br \/>\n\u00c9 a dist\u00e2ncia do S\u00edtio Caldeir\u00e3o para a sede do Crato. O nome &#8220;caldeir\u00e3o&#8221; seria por causa de uma queda d\u00b4\u00e1gua em um acidente rochoso semelhante a uma panela grande<strong>2008<\/strong><br \/>\nONG cearense SOS Direitos Humanos pediu na justi\u00e7a a identifica\u00e7\u00e3o dos descendentes dos mortos no Caldeir\u00e3o. A a\u00e7\u00e3o foi arquivada<strong>1987<\/strong><br \/>\nAno do lan\u00e7amento do document\u00e1rio Caldeir\u00e3o da Santa Cruz do Deserto, do cineasta Rosemberg Cariry<\/div>\n<\/article>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div class=\"separador separador\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/portlet\/187\/12608\/GEOPARK7.jpg\" \/><\/div>\n<article id=\"noticia12\" class=\"theme clearfix noticia\">\n<header>\n<h1><\/h1>\n<h1>Onde f\u00e9 e a ci\u00eancia se encontram<\/h1>\n<p class=\"desc\">Na Colina do Horto, o geoss\u00edtio \u00e9 o encontro de um evento geol\u00f3gico da Chapada do Araripe com as manifesta\u00e7\u00f5es da cultura da f\u00e9<\/p>\n<\/header>\n<div align=\"justify\">\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2434\/4E9A9603.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2434\/4E9A9603.JPG\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<p>De Marechal Deodoro, no agreste alagoano, Jo\u00e3o Batista da Silva, 56, veio ter com a mem\u00f3ria perp\u00e9tua de padre C\u00edcero, em Juazeiro do Norte. A cren\u00e7a de que o \u201cpadim\u201d o fez voltar a andar, \u201cdepois de um ano paral\u00edtico\u201d, virou paga de promessa perene pela \u201cgra\u00e7a alcan\u00e7ada\u201d. Enquanto viver e as pernas aguentarem, projeta Jo\u00e3o Batista, ele trar\u00e1 o corpo agradecido \u00e0 \u201cterra santificada\u201d pelo padre milagreiro, por M\u00e3e das Dores, pela beata Maria de Ara\u00fajo, pelo beato Jos\u00e9 Louren\u00e7o e por uma na\u00e7\u00e3o de romeiros que se renova na oralidade no Nordeste e numa ten\u00eancia de credo em fam\u00edlia.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\">A primeira vez de Jo\u00e3o Batista a Juazeiro do Norte foi puxado pelas hist\u00f3rias e a devo\u00e7\u00e3o da av\u00f3, Maria Joana da Concei\u00e7\u00e3o, hoje falecida, e que fez a p\u00e9 uma das viagens de Joaquim Gomes (Alagoas) at\u00e9 o Cariri cearense. J\u00e1 vinha na bagagem dela, desde menina, as romarias narradas pela m\u00e3e.<\/div>\n<div align=\"justify\">Quando nos encontramos, em julho deste ano, era o m\u00eas dos 85 anos do \u201cencantamento\u201d do padre C\u00edcero e a trig\u00e9sima vez que Jo\u00e3o Batista retornava a Juazeiro. Como de costume, repetia o caminho no Santo Sepulcro, lugar onde padre C\u00edcero se recolhia para se aquietar. Uma trilha penitente de 3 quil\u00f4metros, no geoss\u00edtio Colina do Horto, peregrinada por pagadores de promessa, devotos e turistas.<\/div>\n<div align=\"justify\">\u00c9 ali, naquele enclave de religiosidade que o Geopark Araripe se inseriu, desde 2006, no Sul do Cear\u00e1. Onde a f\u00e9 e a ci\u00eancia se encontraram para justificar a relev\u00e2ncia da cria\u00e7\u00e3o de um geoparque da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). Um territ\u00f3rio simb\u00f3lico e ao mesmo tempo cient\u00edfico.<\/div>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2434\/4E9A9533.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2434\/4E9A9533.JPG\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">As rochas mais antigas da Bacia do Araripe afloraram at\u00e9 o alto do geoss\u00edtio da Colina do Horto, em Juazeiro. \u201cS\u00e3o pedras magm\u00e1ticas, originadas h\u00e1 cerca de 650 milh\u00f5es de anos\u201d, detalha \u00c1lamo Saraiva, coordenador do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da Universidade Regional do Cariri (LPU). \u201cAqui, n\u00e3o h\u00e1 ocorr\u00eancia de f\u00f3sseis como em Santana do Cariri e Nova Olinda\u201d, compara Flaviana Costa, tamb\u00e9m paleont\u00f3loga do LPU.<\/div>\n<div align=\"justify\">S\u00e3o rochas \u201c\u00edgneas (no caso o granito) formadas a partir do resfriamento do magma. Por isso \u00e9 imposs\u00edvel conservar alguma coisa org\u00e2nica. Os f\u00f3sseis se preservam em rochas sedimentares como o calc\u00e1rio e o arenito\u201d, explica a paleont\u00f3loga e professora da Urca.<\/div>\n<div align=\"justify\">Jo\u00e3o Batista pouco sabe dizer sobre o valor geol\u00f3gico do assoalho rochoso onde est\u00e1 sentada aquele trecho de peregrina\u00e7\u00e3o, na Bacia do Araripe. Sabe da est\u00e1tua gigante do padre C\u00edcero que mira o Vale do Cariri l\u00e1 embaixo. E, sim, v\u00ea rochas exageradas que o acompanham no percurso de ida e volta do caminho do Santo Sepulcro.<\/div>\n<div align=\"justify\">Ele confessa nunca ter se perguntado por que tanta pedra na estrada de ch\u00e3o alaranjado, aberta no meio de uma Caatinga preservada. H\u00e1 uma rocha, inclusive, recomenda o funcion\u00e1rio p\u00fablico, com uma fenda estreita no meio e por onde os devotos do padre C\u00edcero se espremem para atravessar. \u00c9 a \u201cpedra do pecado\u201d. E os que se entalam no apertado das paredes \u00e9 porque est\u00e3o cheios de culpa. N\u00e3o haveria rela\u00e7\u00e3o com a complei\u00e7\u00e3o f\u00edsica de cada um ou um prov\u00e1vel sedentarismo. \u00c9 a parte brincante da escrita do maravilhoso costurada \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es da f\u00e9 no desenho geol\u00f3gico do lugar.<\/div>\n<figure class=\"center-img\"><img decoding=\"async\" class=\"lazy\" src=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2434\/4E9A9667.JPG\" alt=\"\" data-original=\"https:\/\/especiais.opovo.com.br\/images\/app\/noticia_139827720957\/2019\/08\/27\/2434\/4E9A9667.JPG\" \/><figcaption>(Foto: F\u00e1bio Lima\/O POVO)<\/figcaption><\/figure>\n<div align=\"justify\">Pelo trajeto do Santo Sepulcro, outra curiosidade. V\u00e1rias pedras pequenas e m\u00e9dias s\u00e3o penduradas nos galhos das \u00e1rvores, empilhadas na beira do caminho ou postas nas placas de orienta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 tamb\u00e9m centenas delas deixadas em cima das rochas gigantes, formando mi\u00fados e grandes totens. Uma assinatura de quem passou pelo sacr\u00e1rio tel\u00farico da Colina do Horto.<\/div>\n<div align=\"justify\">Dami\u00e3o Francisco da Silva, 34, tem uma venda de \u00e1gua, salgadinhos, ra\u00edzes, mel, caba\u00e7as e outras ofertas em uma das paradas do caminho. Os seixos deixados pelos peregrinos teria haver com a expia\u00e7\u00e3o das faltas graves cometidas pelos arrependidos at\u00e9 a pr\u00f3xima ida a Juazeiro. \u201cDizem que quanto maior o pecado, maior \u00e9 a pedra deixada\u201d, ouviu dizer o comerciante.<\/div>\n<div align=\"justify\">Antes de ser geoss\u00edtio, na Colina do Horto, j\u00e1 havia a trilha indo dos p\u00e9s da est\u00e1tua de padre C\u00edcero at\u00e9 a cole\u00e7\u00e3o de pedras magm\u00e1ticas do Santo Sepulcro. Mas, remonta Dami\u00e3o Francisco, o com\u00e9rcio era acomodado em \u201cbarracas de lata e taipa\u201d. Quando o Geopark Araripe pediu passagem e se incorporou ao forte tra\u00e7o da cultura religiosa entran\u00e7ada em Juazeiro do Norte, a montanha onde o \u201cpadrim vive e n\u00e3o est\u00e1 morto\u201d agregou outras percep\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p>\u201cEu n\u00e3o sei explicar direito o que \u00e9 Geopark. Mas depois dessa prote\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma prote\u00e7\u00e3o, n\u00e9? Hoje, tem banco pra o romeiro se sentar. Muita placa e as nove barracas, agora, s\u00e3o de tijolos. Ficou mais organizado\u201d, observa Dami\u00e3o Francisco. Um cearense, filho de m\u00e3e paraibana e pai juazeirense. \u201cMinha m\u00e3e veio com meus av\u00f3s para uma romaria aqui e acabaram ficando pra morar\u201d, biografa o homem do Cariri.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"right\">\n<p><em>Demitri T\u00falio<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div align=\"left\">\n<p><strong>EST\u00c1TUA DO PADRE C\u00cdCERO<\/strong><\/p>\n<p><strong>27<\/strong>\u00a0metros \u00e9 altura da est\u00e1tua de padre C\u00edcero. Esculpida por Armando Lacerda em 1969.<\/p>\n<p><strong>7<\/strong>\u00a0metros era o tamanho inicial proposto para o monumento ao padre e l\u00edder pol\u00edtico, falecido em 1934.<\/p>\n<p><strong>50<\/strong>\u00a0anos tem a est\u00e1tua do padre C\u00edcero. Em seu entorno, h\u00e1 um museu, uma igreja e muito com\u00e9rcio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\"><strong>FONTE: Especiais\u00a0 O POVO\u00a0<\/strong><\/div>\n<div align=\"left\"><strong>Link:<\/strong>\u00a0https:\/\/especiais.opovo.com.br\/geoparkararipe\/<\/div>\n<div align=\"left\"><\/div>\n<div align=\"left\">\n<h1><\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Geopark Araripe, da rede global de geoparques da Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), \u00e9 um laborat\u00f3rio de possibilidades e descobertas para o &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":3263,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[29],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3260"}],"collection":[{"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3260"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3260\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3262,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3260\/revisions\/3262"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}