﻿{"id":3974,"date":"2021-03-27T10:39:47","date_gmt":"2021-03-27T13:39:47","guid":{"rendered":"http:\/\/geoparkararipe.urca.br\/?p=3974"},"modified":"2021-03-27T10:39:47","modified_gmt":"2021-03-27T13:39:47","slug":"pesquisadores-da-urca-ufes-e-ufpe-descobrem-fosseis-que-indicam-estresse-climatico-ha-mais-de-100-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/geoparkararipe.urca.br\/?p=3974","title":{"rendered":"Pesquisadores da URCA, Ufes e UFPE \u00a0descobrem f\u00f3sseis que indicam estresse clim\u00e1tico h\u00e1 mais de 100 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong><em>Pesquisadores brasileiros anunciam descoberta feita em escava\u00e7\u00f5es paleontol\u00f3gicas no Cear\u00e1, em um dos principais dep\u00f3sitos fossil\u00edferos do mundo.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa foi publicada, hoje, na revista Scientific Reports, do Grupo Nature<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pesquisadores da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), da Universidade Regional do Cariri (URCA) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) publicaram hoje, dia 26 de mar\u00e7o, um artigo in\u00e9dito sobre um evento de mortalidade em massa de larvas de um inseto aqu\u00e1tico, encontrado na unidade geol\u00f3gica Forma\u00e7\u00e3o Crato, no Nordeste do Brasil.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>A Forma\u00e7\u00e3o Crato<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Entre 113 e 125 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, durante o Cret\u00e1ceo Inferior, a \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul ainda estavam unidas, formando um \u00fanico continente conhecido como Gondwana. Mas os blocos de terra j\u00e1 come\u00e7avam a se separar, formando um oceano estreito e raso. \u00c0 beira deste oceano, havia um ambiente composto por lagoas com vida animal e vegetal diversificada. Este ambiente se preservou como uma unidade fossil\u00edfera que conhecemos hoje como Forma\u00e7\u00e3o Crato, localizada na regi\u00e3o da Chapada do Araripe, no sul do estado do Cear\u00e1.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Sobre o estudo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa apresenta a primeira an\u00e1lise tafon\u00f4mica de uma mortalidade em massa de insetos da Forma\u00e7\u00e3o Crato, ou seja, conta a hist\u00f3ria dos eventos que ocorreram antes da fossiliza\u00e7\u00e3o dos organismos neste s\u00edtio paleontol\u00f3gico. Esse trabalho s\u00f3 p\u00f4de ser realizado gra\u00e7as \u00e0 primeira escava\u00e7\u00e3o paleontol\u00f3gica controlada\u00a0da Forma\u00e7\u00e3o Crato, que foi realizada pela equipe do Laborat\u00f3rio de Paleontologia da URCA. \u201cEsse trabalho foi exaustivo e levou mais de um ano para analisar camada por camada, algo que foi realizado pela primeira vez nesse importante dep\u00f3sito fossil\u00edfero e contou com o esfor\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o de uma grande equipe de professores e estudantes\u201d, afirma o professor da URCA, \u00c1lamo Saraiva.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo a pesquisadora Arianny Storari, da Ufes, o achado prov\u00e9m de uma camada de calc\u00e1rio laminado, localmente conhecido como pedra cariri. As larvas de insetos encontradas pertencem ao grupo Ephemeroptera, conhecidos popularmente como ef\u00eameras. \u201cEssa localidade \u00e9 muito rica em f\u00f3sseis e, portanto, pequenos ac\u00famulos de mais de tr\u00eas insetos pr\u00f3ximos na mesma camada de rochas s\u00e3o comuns nesta unidade, mas acumula\u00e7\u00f5es de 40 insetos, como as apresentadas nesse estudo in\u00e9dito, s\u00e3o muito raras no registro f\u00f3ssil&#8221;.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Descoberta<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os autores notaram que na camada de mortalidade em massa desses insetos, as larvas e os peixes eram menores do que o normal. Isso os levou a hipotetizar que eles poderiam estar vivendo em uma coluna de \u00e1gua rasa, porque indiv\u00edduos mais jovens poderiam suportar n\u00edveis de \u00e1gua mais baixos devido ao seu tamanho pequeno. \u201cCom base nos padr\u00f5es anat\u00f4micos e de preserva\u00e7\u00e3o das larvas das ef\u00eameras da fam\u00edlia Hexagenitidae e dos peixes do g\u00eanero Dastilbe, foi poss\u00edvel compreender mais ainda o ambiente pret\u00e9rito da Forma\u00e7\u00e3o Crato\u201d, afirma a paleont\u00f3loga Taissa Rodrigues, da Ufes.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Todos os organismos aqu\u00e1ticos (larvas e peixes) na camada de mortalidade estudada tamb\u00e9m exibiram excelente preserva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apresentaram nenhum tipo de orienta\u00e7\u00e3o no sedimento, o que sugere que morreram no mesmo local que viveram. &#8220;\u00c9 esperado que qualquer transporte tenha consequ\u00eancias para a completude de elementos morfol\u00f3gicos, principalmente de seres t\u00e3o fr\u00e1geis como as ef\u00eameras&#8221;, explica Storari. A anatomia das larvas da fam\u00edlia Hexagenitidae tamb\u00e9m demonstra que elas viviam em \u00e1guas calmas e mais paradas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n<p style=\"font-weight: 400;\">Al\u00e9m dos f\u00f3sseis, cristais de halita, um mineral que se forma pela precipita\u00e7\u00e3o de sal, tamb\u00e9m foram encontrados em camadas pr\u00f3ximas ao n\u00edvel de mortalidade. \u201cEsse fato nos levou a entender que essas larvas poderiam ter morrido pelo aumento da salinidade, e que este aumento teria ocorrido devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do espelho d&#8217;\u00e1gua\u201d, afirma Renan Bantim, paleont\u00f3logo da URCA. As esp\u00e9cies viventes de ef\u00eameras geralmente n\u00e3o toleram concentra\u00e7\u00f5es elevadas de sal, como em \u00e1guas salobras. Por conta disso, o aumento da salinidade pode ter sido o causador da mortalidade em massa dos insetos, mas n\u00e3o necessariamente dos peixes, que foram encontrados em diversos eventos de mortalidade, em camadas distintas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Import\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Segundo Saraiva, &#8220;a partir da pesquisa sobre eventos ambientais passados e como eles afetaram a fauna daquela \u00e9poca, os pesquisadores podem interpretar tend\u00eancias recentes e at\u00e9 futuras&#8221;. E esta descoberta conta mais uma parte da hist\u00f3ria do que era o Cear\u00e1 em um tempo muito distante.\u00a0Segundo a professora da UFPE Flaviana Lima, que tamb\u00e9m participou da escava\u00e7\u00e3o que culminou neste achado, \u201ccomo os f\u00f3sseis de ef\u00eameras de Hexagenitidae e os peixes Dastilbe representam uma fauna que viveu no paleolago da Forma\u00e7\u00e3o Crato, os dados deles podem ser usados para entender melhor o contexto paleoambiental desta unidade\u201d. \u201cAssim como nos dias de hoje os insetos aqu\u00e1ticos s\u00e3o \u00f3timos bioindicadores de qualidade de \u00e1gua, eles tamb\u00e9m conseguem nos ajudar a entender o ambiente pret\u00e9rito,\u00a0j\u00e1 que s\u00e3o sens\u00edveis \u00e0s varia\u00e7\u00f5es do meio onde vivem\u201d, complementa Storari.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores brasileiros anunciam descoberta feita em escava\u00e7\u00f5es paleontol\u00f3gicas no Cear\u00e1, em um dos principais dep\u00f3sitos fossil\u00edferos do mundo. 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